Triagem precoce de risco e cuidado coordenado na prevenção de quedas e fraturas: impactos na qualidade de vida e sustentabilidade do sistema de saúde

Segundo o depoimento da Sra. Maria A.M.C de 75 anos, brasileira, seus primeiros sinais apareceram há 20 anos. Ela sentia dores no joelho e com a artrose mais avançada, dez anos depois, passou a ter medo de cair ao caminhar pelas ruas. Dona Maria começou a sofrer quedas esporádicas com 67 anos e aos 74, sofreu uma queda grave durante o banho que culminou numa prótese no quadril esquerdo. “Eu sinto bastante dor, não tenho posição para dormir. O pior pra mim foi não poder fazer as caminhadas que eu gostava e ter que pedir ajuda pra tudo”, disse ela. Por conta da pandemia, Dona Maria passa a maior parte do tempo no quarto, tem uma cuidadora para ajudar no banho e cancelou as fisioterapias e consultas médicas, apesar de estar apreensiva e deprimida pela falta da família. Este depoimento verdadeiro, mais comum que se imagina, enfatiza o quão devastadoras podem ser as consequências das quedas na vida dos idosos. Mais de 15 anos de profundos estudos científicos e campanhas de prevenção pontuais espalhadas pelo mundo e a pergunta que fica: quanto temos conseguido mudar do problema? No custo-efetividade daqueles que cuidam e nos hábitos do chamado “grupo de risco”.

Os números não admitem mais “vistas grossas”: 1 entre 3 cai todos os anos e 1 entre 20, fratura o quadril; destes hospitalizados por fratura, 20% morrem no primeiro ano após a fratura [1]. Atualmente, as quedas são a terceira causa de mortes entre brasileiros idosos, responsáveis por mais de 50 mil internações em hospitais a cada ano [2]. Em 2060 seremos 228,3 milhões e 20% da população 65+ [3]. Na projeção deste cenário para o futuro, estamos falando de mais de 150 mil mortes por quedas no Brasil: vidas ceifadas ao custo inestimável dos “sintomas pós-queda”: dor, perda de autonomia, reclusão, insegurança, constrangimento e muitas vezes, depressão e morte.

Para o sistema de saúde, entretanto, o custo-queda é estimável. A cada ano, nos Estados Unidos, cerca de US $ 50 bilhões são gastos em lesões não fatais por queda e US $ 754 milhões são gastos em quedas fatais, segundo o ​Centers for Disease Control and Prevention,​ CDC [4] entre internações, cirurgias e mortes; aqui no Brasil o custo estimado ultrapassa os 68 bilhões por ano, custo atualmente acelerado pelas novas demandas da Pandemia Coronavírus e o impacto de toda a população mundial submetida ao isolamento social, descompensação de doenças pré-existentes não supervisionadas, quadros emocionais associados à insegurança e, especialmente, pela fragilização clínica ligada ao extenso período de hospitalização entre os milhares de internados pelo mundo, por Covid19.

Existem inúmeros materiais disponíveis sobre o que se fazer e não se fazer para prevenção de quedas. A maioria úteis e fidedignos; muitos, inclusive, validados cientificamente. A solução provavelmente depende de engajamento, educação e gestão do risco; mas sem dúvida, depende também de escala. Escalar mudança de hábitos e cultura nunca foi tarefa fácil, sendo esta, uma abordagem conhecida e aplicada em outros grandes problemas de saúde pública igualmente complexos em sua prevenção, tal qual a prevenção de quedas. Nos fluxos preventivos do câncer de mama e útero, acidente vascular encefálico e infarto,por exemplo, também se trabalha o diagnóstico precoce e prevenção dos fatores de risco através de triagem por colposcopia, mamografia, eletrocardiograma de esforço, controle da hipertensão, diabetes e colesterol; os chamados ​check-ups e controles de rotina. O problema para programas com esta abordagem na prevenção de quedas está na incipiência do problema, padronização e eficiência da técnica, além de políticas de implementação e aderência em escala, que envolvem esforço de Estado e mercado.

No entanto, com o envelhecimento populacional e o prejuízo “batendo na porta”, este cenário está mudando, principalmente entre os países mais desenvolvidos e com população mais idosa. Segundo o ​National Reporting and Learning System (NRLS) do Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, 77% das 250 mil quedas registradas em hospitais entre 2015/2016 com custo de £630 milhões ocorreram entre pessoas com mais de 65 anos, 25% do custo total de quedas entre idosos calculado em £2,3 bilhões. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) recomendou não usar nenhuma ferramenta clínica para prevenir quedas em hospitais por não encontrar eficiência financeira e clínica nos protocolos qualitativos realizados [5] e apontou 5 fatores chaves para o sucesso: apoio em nível de diretoria, envolvimento da equipe da linha de frente, educação e treinamento e mudança de cultura. Além disso, reconheceu que as ferramentas baseadas em características clínicas subjetivas carecem de sensibilidade, especificidade ou ambas e que a adição de novas tecnologias para medir a marcha e equilíbrio e a inclusão de fatores de fragilidade podem melhorar as avaliações baseadas em fatores de risco clínicos [6].

Prevenir quedas é também um dos pontos focais da prevenção de lesões na Suíça, pois sua taxa de incidência de lesões relacionadas à queda (3.500 por 100.000) e mortes (20 por 100.000) está entre as duas maiores da Europa, altas também na comparação global. Por lá, a estratégia de prevenção compõe exercício, a modificação da infraestrutura pública e privada e adoção de novas tecnologias [7]. Na Holanda, o número de idosos cresceu 155% nos últimos 20 anos. Além dos holandeses viverem mais, eles estão vivendo em sua maior parte, sozinhos, o que expõe ainda mais ao risco. Num estudo holandês sistêmico publicado em 2017 os achados mostraram que a detecção regular de idosos com risco de queda é rara, falta encaminhamento para programas de prevenção e acompanhamento estrutural quase nunca é oferecido. Além disto, os idosos relutam em participar da detecção anual de risco de quedas, por este motivo, a cada cinco minutos um idoso visita uma emergência após uma queda na Holanda e £900 milhões foram gastos com essas lesões em 2017. Dos 31 estudos e intervenções de uma revisão sistemática recente, os protocolos de intervenção domiciliar apresentaram melhor custo-benefício entre idosos da comunidade [8] e cursos que ensinam os idosos a cair e não somente a evitar as quedas estão ganhando popularidade. “Esse é o poder da fisioterapia com idosos”, disse Ms. van Wijk, uma fisioterapeuta deste programa. “Você pratica coisas que você sabe que pode fazer, e não as coisas que você não consegue” [9].

Para países continentais como o Brasil com a população até 12 vezes maior que os países europeus citados acima, menos acesso à cultura da prevenção, menor estrutura econômica e de fomento à inovação e mercado mais competitivo; o impacto do problema pode ser desastroso, já que os idosos tendem a serem deixados de lado. Neste aspecto, a tecnologia assertiva, indiscutivelmente é uma aliada, desde que pensada para gestão complexa do fluxo e não para a intervenção pontual.

Iniciativas estão surgindo e podem acelerar o mercado impactado pelo “peso da sinistralidade e quebra do caixa” na Pandemia. Com as próximas ondas de sobrecarga do sistema, associadas ao envelhecimento populacional e à intensificação da fragilidade clínica pós-pandemia, o olhar dos ​players de saúde deve aguçar para adoção de novas tecnologias em busca de incrementar a corrida pelo modelo econômico custo-efetivo e sustentável.

Neste cenário e aqui do Brasil, a TechBalance, empresa focada na prevenção de quedas por predição, triagem e coordenação da prevenção, nasceu e resiste inquieta; acreditando que não existe solução fácil para problema complexo, que as pessoas podem mudar as coisas se munidas das ferramentas certas e que a tecnologia pode viabilizar a escala dos protocolos. Para conhecer mais sobre a tecnologia exclusiva da TechBalance de medida objetiva de risco e equilíbrio que promove programas terapêuticos individualizados e automáticos, visite o site www.techbalance.com.br​ e faça sua pré-triagem de risco e fragilidade.

Autora: Fabiana Mendes de Almeida. Fundadora e CEO da TechBalance, Fisioterapeuta especialista em ortopedia e traumatologia (UNITAU) e biomecânica (USP).

Fontes: [1]​https://www.into.saude.gov.br/lista-dicas-dos-especialistas/186-quedas-e-inflamacoes/272-como-reduzir-qued as-no-idoso,​ acesso em 17/06/2020; [2] Portal de notícias G1, 08/06/2019: “Quedas são a terceira causa de mortalidade entre pessoas com mais de 65 anos”; [3]IBGE; [4] ​Centers for Disease Control and Prevention;​ [5] https://improvement.nhs.uk/documents/1473/Falls_summary_July2017.pdf;​%5B6%5D​https://www.nice.org.uk/guidance/cg161/evidence/cg161-appendix-k-full-health-economic-report-2013-pdf-684 1214714;​[7]​https://www.researchgate.net/publication/328666187_PW_0431_National_strategy_for_fall_preventio n_in_the_elderly_in_switzerland;​[7] ​B.F. Olij . ​The Impact and Prevention of Fall-Related Injuries among Older Adults; [8] Falls Prevention Activities Among Community-Dwelling Elderly in the Netherlands: A Delphi Stud; [9]Fonte:​https://www.nytimes.com/2018/01/02/world/europe/netherlands-falling-elderly.html,​ acesso em 16/06/2020

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