PANORAMA DA SAÚDE BRASILEIRA. Autores:Ana Maria Malik FGV ; Ana Regina C. Vlainich IBGC ; Artur C. das Neves IBGC ;Paulo Marcos Senra Souza INLAGS

Publica├ž├úo Original Revista Capital Econ├┤mico, 04/06/20.

O Sistema ├Ünico de Sa├║de (SUS) institu├şdo no Brasil pela Constitui├ž├úo de 1988 tornou-se um modelo para outros pa├şses. Entretanto, a falta de investimentos conjugada a uma governan├ža complexa o impediram de atingir seu potencial, nos seus primeiros 30 anos.  O modelo de assist├¬ncia atual ├ę desenhado sobre a oferta de servi├žos dispon├şveis e n├úo em fun├ž├úo das necessidades da popula├ž├úo. Ainda tem a vis├úo tradicional de ser fortemente centrado em hospitais e no profissional m├ędico e o papel do paciente ainda ├ę passivo e reativo.

No SUS convivem dois subsistemas:  o p├║blico, com intermedia├ž├úo financeira por parte do Estado e o privado, que funciona com intermedia├ž├úo financeira privada (por vezes com subs├şdio p├║blico). O or├žamento p├║blico, respons├ível pelas necessidades de sa├║de e assist├¬ncia m├ędica de todos os cidad├úos brasileiros, ├ę de 45% do total. Os demais 55% do or├žamento s├úo utilizados por cerca de 25% da popula├ž├úo, benefici├íria, de forma volunt├íria, de planos de sa├║de suplementar que se responsabilizam basicamente por assist├¬ncia m├ędica e uma parte de gasto direto por parte do cidad├úo, que compra produtos e servi├žos de sa├║de na medida da sua demanda.  Dos planos de sa├║de suplementar 80% s├úo corporativos, adquiridos por empresas que, em situa├ž├Áes econ├┤micas adversas, tendem reduzir seus funcion├írios e consequentemente seus gastos com o benef├şcio sa├║de, aumentando o contingente de popula├ž├úo que depende exclusivamente do SUS ou de sua capacidade de gasto. 

Tendo em vista que os recursos para a sa├║de sempre s├úo insuficientes, frente a necessidades crescentes, ├ę necess├írio trabalhar de maneira a otimizar a cadeia de valor do setor para todos os seus agentes, de forma a garantir a possibilidade de reinvestimentos em todos os seus elos. Em tempos de pandemia tem-se verificado superlota├ž├úo das estruturas p├║blicas, por vezes ineficientes, e a  ociosidade de unidades privadas. Seria poss├şvel pensar no compartilhamento da capacidade instalada, que beneficiaria desde as organiza├ž├Áes da sa├║de, que utilizariam melhor os seus recursos, at├ę os cidad├úos que receberiam melhora no seu atendimento. O processo de compartilhamento deveria ser administrado por crit├ęrios regidos pela boa governan├ža corporativa, com vistas a buscar o ├│timo para as partes constituintes. 

Cada vez mais todos os envolvidos reconhecem que o agente principal do sistema de sa├║de ├ę o cidad├úo, seja ele o paciente, o cliente, o benefici├írio. Em momento de pandemia, isso se torna inquestion├ível.  No entanto, o modelo tradicional da sa├║de ainda ├ę fragmentado, privilegiando os prestadores, operaodoras e os fabricantes em detrimento dos usu├írios.  N├úo ├ę tarefa f├ícil entender o comportamento e as necessidades do consumidor atual de sa├║de no Brasil. A populariza├ž├úo do uso de celulares e computadores, independente da classe econ├┤mico social dos cidad├úos, aumentou a informa├ž├úo (por vezes equivocada) do que seria a qualidade dos servi├žos a que eles t├¬m direito.  

Os gestores da sa├║de no s├ęculo XXI precisam identificar e entender este novo perfil de cliente, como centro e protagonista, e implantar as mudan├žas necess├írias principalmente na forma de se comunicar com ele. Nesse caso, nada mais natural do que reconhecer que a informa├ž├úo ├ę propriedade do cidad├úo. Estas informa├ž├Áes devem ser integradas e de f├ícil acesso, oportunas e fidedignas.  O cliente tem o direito de conhecer o servi├žo antes de adquiri-lo ou de utiliz├í-lo, o que torna inadequada a falta de transpar├¬ncia hoje existente, tanto no p├║blico quanto no privado, tanto nos prestadores quanto nos financiadores. 

Prontu├írio eletr├┤nico pertencente ao cidad├úo, acho que ainda est├í muito longe de acontecer no Brasil… Duas s├úo as mudan├žas que aparecem como as mais pr├│ximas de ocorrer:  a utiliza├ž├úo de prontu├írio eletr├┤nico integrado e conjugado com bancos de dados centralizados e que, utilizando Intelig├¬ncia Artificial (IA), conseguir├úo coordenar os fluxos das informa├ž├Áes da cadeia de valor e a disponibilidade de informa├ž├Áes  comparativas sobre prestadores de servi├žos, fornecedores, distribuidores de produtos e tecnologias etc.

Duas s├úo as mudan├žas que aparecem como as mais pr├│ximas de ocorrer:  maior disponibilidade ao p├║blico de informa├ž├Áes  comparativas sobre prestadores de servi├žos, fornecedores, distribuidores de produtos e tecnologias etc  e a utiliza├ž├úo de servi├žos ├á dist├óncia como consultas. Mais distante, mas em futuro pr├│ximo parece estar um prontu├írio eletr├┤nico integrado e conjugado, centrado no cidad├úo,  com bancos de dados centralizados e que, utilizando Intelig├¬ncia Artificial (IA), conseguir├úo coordenar os fluxos das informa├ž├Áes da cadeia de valor.

Este novo tempo abre espa├žo para fortes investimentos em conscientiza├ž├úo sanit├íria do indiv├şduos (health literacy). A prioridade nos fatores de preven├ž├úo contra a doen├ža e promo├ž├úo da sa├║de, os chamados determinantes sociais pode vir a atenuar o foco na doen├ža como efeito.  Com isto talvez seja poss├şvel mudar a perspectiva na  respostas ├á pergunta ÔÇťem sua opini├úo, qual ├ę o motivo mais importante para se ter plano de sa├║de? ÔÇŁ, que usualmente tem sido: ÔÇťpara cobrir os custos, em geral hospitalares, associados as doen├žas graves ou aos casos de interna├ž├úo decorrentes de acidentesÔÇŁ, o que traduzido mostra que est├í sendo comprado um plano de doen├ža e n├úo de sa├║de.

Autores: 

  • Paulo Marcos Senra Souza , m├ędico , MBA executivo , mestre em sa├║de coletiva , doutorando em politica e planejamento na sa├║de  
  • Artur Neves , engenheiro , mestre em governan├ža corporativa , conselheiro de administra├ž├úo 
  • Ana Maria Malik, m├ędica , mestre em administra├ž├úo , doutora em medicina , coordenadora do FGV /EAESP Sa├║de 
  • Ana Regina C. Vlainich -medica , Mestra Ci├¬ncias da Sa├║de (USP);  Diretora HSPE-Iamspe; Presidente da Associa├ž├úo Brasileira das mulheres m├ędicas.

**Reprodu├ž├úo Autorizada pela Autor**

­čçž­čçĚ#####################Seja HIHUB.TECH#######################­čîÄ

Curta Canal HIHUB.TECH­čîÄHealth Innova HUB

O atributo alt desta imagem est├í vazio. O nome do arquivo ├ę Grupo-StartupSa├║de-Facebook.jpg

Participe da Comunidade HIHUB.TECH­čîÄHealth Innova HUB­čçž­čçĚ

O atributo alt desta imagem est├í vazio. O nome do arquivo ├ę Captura-de-tela-2020-04-20-12.21.34.png

Explore StartupSaude.com (Portal de Inova├ž├úo em Sa├║de)

Ser├í ├ôTIMO t├¬-los CONOSCO­čĄŁ­čçž­čçĚ

Fernando Cembranelli, MD/MBA 

CEO HIHUB.TECH­čîÄHealth Innova HUB

DESAFIO Sa├║de do Amanh├ú 2020 HIHUB.TECH­čîÄ

O atributo alt desta imagem est├í vazio. O nome do arquivo ├ę Captura-de-tela-2020-04-22-16.38.44-1024x584.png

ÔÇťLeading  Digital Healthcare Innovation EcosystemsÔÇť


Sobre Fernando Cembranelli

M├ędico formado pela UNIFESP, com Resid├¬ncia M├ędica, em Administracao Hospitalar, pelo Hospital das Cl├şnicas da FMUSP e MBA com foco em Healthcare Management pela Fuqua School of Business (Duke University). Co-fundador do EmpreenderSa├║de, Ex-gerente do Centro de Inovacao do HCFMUSP, partner da Live Healthcare Media e CEO do Health Innova HUB (Health Innovation HUB)

1 Resposta

Ola, deixe seu comentário para nossa comunidade!