O que você deve saber para que sua pesquisa vire patente ?

Muitos pesquisadores investem seu tempo e dinheiro na formulação de medicamentos ou dispositivos na busca por possíveis curas de uma doença e têm o desejo de torna-los patenteáveis. O mercado global de dispositivos médicos é estimado em 350 bilhões de dólares e, dependendo do dispositivo proposto, pode variar de 100 milhões para mais de 4 bilhões. Não é à toa que os cirurgiões dominam anualmente cerca de um terço de todas as patentes de dispositivos médicos adquiridos nos Estados Unidos, já que são constantemente desafiados a inovar e criar instrumentos de sucesso, isso porque compreendem a natureza e design do produto sob seus pacientes (como por exemplo, a invenção dos cateteres e stents coronários projetados à ajudarem na abertura do entupimento artérias do coração).

Foto: Uso de cateteres e stents na angioplastia coronária (Fonte)

A função da patente é proteger quanto a exploração comercial de um produto por terceiros, sem que estes possam vender, importar ou fabricar o objeto sem o consentimento do titular. O primeiro passo em transformar seu projeto em patente é identificar os seguintes critérios: a invenção atende aos critérios de patente? Tem utilidade? Alguma invenção ou ideia semelhante já foi patenteada?

Após fazer estas considerações, o próximo passo é realizar a divulgação de propriedade intelectual (PI). Deve ser feita uma descrição dos detalhes específicos demonstrando as potencialidades do produto para virar patente, um esboço da invenção ou foto do protótipo seria útil, bem como expor a tendência mercadológica e possíveis licenciados do produto. Feito isso, deve ser submetido para Escritório de Transferência de Tecnologia das respectivas universidades, lá ele será analisado e emitido uma “opinião de patentebilidade”

VideoPropriedade Intelectual, Segredo Empresarial e Patentes, assista este excelente vídeo feito pelo BioStartup Lab.

Se universidade considerar o projeto patenteável, um selo de “patente provisória” será emitido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), podendo ser convertida em um pedido definitivo. E, caso não seja, dará plena propriedade da criação ao inventor para que possa desenvolvê-lo por conta própria.

LICENCIAMENTO DE PATENTES

É de interesse financeiro e muitas vezes legal da Universidade ajudar a comercializar a propriedade intelectual. Se uma universidade optar por apresentar um pedido provisório para a divulgação da invenção de um membro do corpo docente, o escritório de transferência de tecnologia tentará “comercializar a patente” recorrendo a empresas apropriadas da indústria para licenciar a invenção. Leve em consideração que maioria das empresas não está interessada em uma “ideia”, mas sim em um produto bem desenvolvido com dados técnicos e um grande mercado comercial maduro para entrar. Caso uma empresa exija interesse em licenciar seu produto, a universidade ajudará a negociar o contrato de licença; as taxas de licenciamento iniciais, as taxas anuais de manutenção da licença e os royalties são muitas vezes negociados. Reconheça que quanto mais longe você desenvolveu a invenção, mais lucrativo será o acordo de licenciamento.

RELAÇÃO COM INVESTIDORES

Para os que realmente acreditam no potencial do seu produto, existe outro caminho: apostar em desenvolver uma empresa Start-up. Para isto, os investimentos anjo e fundos de capital de risco são uma boa opção, além de empresas de capital aberto para ajudar a alavancar o negócio, ou também contar com o amparo do Escritório de Transferência de Tecnologia para encontrar investidores em potencial. Conquistado o investimento inicial, use-o para a construção de um protótipo, considere serviços de empresas nacionais e internacionais especializadas em prototipagem e fabricação de volumes menores de produtos voltados a área médica. Além disso, mantenha contato com cientistas dos departamentos de engenharia biomédica para a troca de conhecimento técnico-cientifico.

Foto: Inovação na saúde (Fonte)

PROGRAMAS DE INOVAÇÃO DESTINADOS A SAÚDE

Existem diversos programas dedicados a inovação em diversas áreas dentro da saúde. O Innovation Lab é um espaço colaborativo desenvolvido pelo Instituto Albert Einstein com o intuito de expandir soluções inovadoras e propriedade intelectual. Há também, as universidades internacionais que estabelecem um consórcio chamado Center for Integration of Medicine and Innovative Technology (CIMIT), lá eles oferecem bolsas para cirurgiões interessados em inovação médica. Outro centro similar é Center for Innovative Ventures of Emerging Technologies (CIVET), onde médicos e membros do departamento de engenharia biomédica colaboram com diversas instituições.

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Abigail Gouveia

Health Innova HUB in Training

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