Estudo sobre Corporate Ventures no Brasil! (Harvard Angels Brazil)

A interação entre grandes corporações e startups no Brasil sempre foi algo desafiador para ambas as partes, porém uma grande necessidade para o mercado como um todo. No setor bancário brasileiro, programas como InovaBra, do Bradesco e CUBO, do Itaú, sistematizaram e organizaram a relação entre startups e grandes corporações, mas este é um movimento que apenas se inicia no Brasil, em especial no setor da saúde.


Tradicionalmente, corporações consolidadas no mercado, com anos de história e um nome a zelar, procuram correr o menor risco possível ou não correr risco algum, promovendo inovações incrementais e evitando a disrupção.

É lendária a história que Steve Jobs foi quem viu o valor do mouse no XEROX PARC, enquanto o establishment da companhia não via uso para aquela solução, que naquele momento tinha três botões e custava USD 300 , Steve Jobs, junto com a IDEO, reduziram o número de botões de três para um e chegaram a um valor de USD 15, o que tornou a tecnologia acessível para um segmento muito maior da população.

Apple Mouse

Foto: Mouse original da Apple

As startups, por outro lado, buscam crescimento acelerado, com grande foco, com a finalidade de se destacar em um mercado tão inovador, mas muitas vezes enfrentando grandes dificuldades para estabelecer parcerias e relações comerciais com grandes corporações.

Em meio a essa nuvem densa de informação, a Harvard Angels do Brasil, organização não-governamental de alunos investidores-anjo de Harvard do Brasil, resolveu realizar uma pesquisa  junto a grandes empresas com a finalidade de elucidar o atual status da  interação entre empresas e startups, o denominado CORPORATE VENTURE

IMG_20170316_200615421
Foto: Evento da Harvard Business School para divulgação do estudo

 

Com patrocínio da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), da Inovativa Brasil e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o estudo implicou em compreender o atual estágio do Corporate Venture no Brasil, denominado pelo estudo como qualquer relação entre startup e empresa, desde a eventos periódicos, até processos de aceleração e investimento.

É sabido que o investimento do setor privado é o grande acelerador do crescimento de inovação no exterior, porém no Brasil, a maior parte deste investimento vem do setor público, assim  é preciso conhecer melhor o status do corporate venture no Brasil e entender quais são as melhores práticas e os desafios para ter sucesso neste setor.

O estudo demonstrou que é difícil engajar os executivos de organizações, no relacionamento com startups, porque o desfecho é incerto, demanda tempo e os resultados não são visíveis no curto prazo. Isso se deve tanto a cultura empresarial quanto aos problemas relacionados com a interação entre empresa-startup.

O estudo mostra que 70% dos investimentos em corporate venture não demonstraram resultado e que apenas 20% dos produtos lançados são bem sucedidos, logo retorno financeiro não deve ser o principal objetivo para realizar corporate venture, mas sim interação estratégica com tecnologias disruptivas ou de potencial estratégico para a organização.

Realidade do Corporate Venture no Brasil:

  • 70% dos investimentos em Corporate Venture não deram certo
  • Menos de 20% dos lançamentos de produtos são bem sucedidos
  • Dificuldade de escolher melhor modelo de interação e com quais startups se relacionar
  • Dificuldade de engajar os executivos da organização

A realidade mostra que é difícil escolher o melhor modelo de interação e com quais startups se relacionar, sendo que grandes empresas e startups vivem em ecossistemas diferentes, não havendo um framework ou linguagem comum !

IMG_20170316_201247244
Foto: Dados levantados pelo estudo da Harvard Business School

Com o estudo realizado pela Harvard Business School, algumas etapas de aperfeiçoamento da interação empresa-startup foram estipuladas. O mapeamento do grau de interação promoveu o desenvolvimento de padrões para medir os diferentes estágios de intensidade em que as corporações se encontram, possibilitando a identificação de arquétipos copiáveis e que guiem as empresas nesse ecossistema.

As percepções encontradas traçaram caminhos a serem seguidos para aumentar e estimular de forma profunda e sólida o ecossistema.

Assim, 4 quesitos foram especificados: Inovação, Financeiro, Marketing, Cultural.

A inovação se relaciona com a criação de soluções, de produtos e de mercados, aumentando vendas e lucros.

Financeiramente, o investimento deve ter retorno, independentemente da relação entre os negócios.

Alavancar a imagem da empresa, vinculá-la a empreendedorismo, inovação e responsabilidade social são mantras do marketing moderno.

E culturalmente, a criação de um mindset empreendedor entre os funcionários é característica essencial para contemplar resultados nesse mercado.

 

IMG_20170316_201611474
Foto: Os 4 pontos de interação para evolução do ecossistema

Refletir esses 4 pontos é essencial para que o ecossistema e as interações empresa-startup se tornem recorrentes e benéficas para ambas as partes e para o usuário.

Programas de aceleração de startups bem estruturados serão recorrentes em grandes empresas. No exterior esse sistema já é reconhecidamente eficaz e traz retorno de grande impacto, o que reflete em empresas multinacionais e permite uma abertura para tais problemas burocráticos.

No Brasil, as empresas preferem se relacionar com startups em fase de tração/escala, enquanto que pelo lado das startups são poucas que se encontram maduras o suficiente para estarem nessa fase.

IMG_20170316_203222914
Foto: Fases das startups e a porcentagem de relacionamento com as empresas

A solução desse problema é essencial para que exista de fato uma evolução positiva nesse quadro. A interação entre empresa-startup deve ocorrer também em fase inicial para que a startup chegue com mais vitalidade e mais rapidamente a fase de escala, já que demonstra tanto para a startup quanto para o mercado que tal solução ou inovação tem um suporte técnico mais forte e consolidado, diminuindo as brechas de possível declínio da startup.

Por outro lado, estruturar as startups e capacitar seus colaboradores é necessário para que empresas se sintam seguras nessa empreitada. Isso deve ocorrer com apoio de aceleradoras, do governo e das próprias empresas, que veem esse ecossistema fértil e de grandes possibilidades ainda em seu primeiro grande ciclo no Brasil.

Quer receber informações adicionais sobre este estudo e tema? CLIQUE AQUI

Atenciosamente,

Felipe Ricci e Fernando Cembranelli

Berrini Ventures Leaders Program e CEO Berrini Ventures

fernando@hihub.co

Sobre Fernando Cembranelli

CEO e Founder do Health Innova HUB, Ecossistema Digital de Inovao em Sade. Mdico formado pela UNIFESP, com Residncia Mdica, em Administrao Hospitalar, pelo Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da USP e MBA com foco em Healthcare Management pela Duke University Foi Co-fundador do EmpreenderSade, Gerente do Centro de Inovacao do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da USP e Partner da Live Healthcare (Portal Sade Business, Sade Business Frum e Healthcare Innovation Show).

Ola, deixe seu comentário para nossa comunidade!