Entrevista: Medicina do Estilo de Vida, com MD e Biodesigner Rodrigo Demarch

Um dos pilares fundamentais para a saúde é ter hábitos saudáveis. Contudo, mudar nossos hábitos é um dos maiores desafios do nosso sistema de saúde, que tem como foco prescrever medicações e intervenções, sem muitas vezes contar com os recursos necessários para apoiar os indivíduos a mudar seu estilo de vida.
Neste sentido, nasceu em 2018, o Colégio Brasileiro de Medicina de Estilo de Vida, que promoverá de 9 a 11 de Novembro, seu 1 Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.
Nesta entrevista conversamos com Rodrigo Demarch, médico do trabalho, que fez a formação de Biodesign, em Stanford, e é um criadores do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. 
Confiram, ao final, uma entrevista, em vídeo, que realizamos com ele.
I Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida:

Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida:

www.cbmev.org.br

  • O que é Medicina do Estilo de Vida ?

A Medicina do Estilo de Vida é uma abordagem científica interdisciplinar que prioriza o uso terapêutico do estilo de vida e envolve apoio na mudança de comportamentos para consumir alimentos predominantemente integrais em dieta à base de plantas, manter atividade física regular, cuidar da qualidade do sono, utilizar estratégias para manejo do estresse, cultivar relacionamentos saudáveis, cessar uso do tabaco e drogas, prevenir abuso de álcool, com o objetivo de prevenir, tratar e, mais importante, reverter as doenças crônicas não transmissíveis relacionadas ao estilo de vida, que são cada vez mais prevalentes e que representam o maior percentual da carga de doenças global no Brasil e em muitos países do mundo, principalmente os países desenvolvidos.

  • Quais os objetivos do I Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida?

O Congresso tem como objetivo disseminar os conceitos científicos relacionados à Medicina do Estilo de Vida, assim como demonstrar como eles podem ser aplicados na prática. Por essa razão o congresso é aberto, não apenas aos profissionais da saúde, mas também ao público leigo. Trazer o paciente para dentro do processo é fundamental, já que é o paciente em si, o principal agente de mudança do seu próprio comportamento. Além disso, o congresso busca também ser um canal de conexão entre as pessoas interessadas do tema. Estamos construindo essa comunidade praticamente do zero, então um evento com grandes especialistas no é um bom meio para colocarmos todos frente a frente e a partir dessa conexão, coisas maravilhosas acontecerão, sem dúvidas.

  • Quais os desafios para modificar o estilo de vida das pessoas?

O processo de mudança comportamental é algo absolutamente pessoal, mas com o apoio de profissionais treinados ele pode ser facilitado. Existem vários aspectos que influenciam o comportamento das pessoas, que vão do seu nível de prontidão pra mudança de determinado comportamento, à habilidade para realizar determinado comportamento, assim como a existência de gatilhos que fazem com que determinado comportamento aconteça, além de obviamente o contexto onde esse indivíduo está inserido, como por exemplo, seu ambiente familiar e o trabalho. Sendo assim, um profissional treinado será capaz de ajudar esse indivíduo não apenas desenvolver as habilidades necessárias para a mudança, mas também identificar quais as oportunidades de mudança no contexto em que o indivíduo está inserido para que a mudança comportamental seja sustentável no longo prazo. Parece difícil, mas é possível se chegar lá. Hoje em dia, inclusive, usando tecnologias digitais.

  • Os profissionais de saúde estão preparados para atuar na modificação do estilo de vida de seus pacientes?

Infelizmente não somos treinados para trabalhar o processo de mudança comportamental de nossos pacientes. A Medicina do Estilo de Vida não é apenas nutrição”e exercício, apesar desses dois pilares serem extremamente importantes. A alimentação saudável, com alimentos integrais em dieta baseada em plantas e um nível de atividade física regular, de acordo com as recomendações existentes são elementos que farão toda diferença no processo de se ter um estilo de vida saudável, mas existem outros fatores, como gerenciamento do estresse, construção de relacionamentos saudáveis, preservar a qualidade do sono, não fumar e prevenir o uso abusivo de álcool que também são fundamentais.

Ou seja, quando falamos de medicina do estilo de vida, falamos de saúde verdadeiramente. Infelizmente, a formação médica e de profissionais de saúde, de uma maneira geral, são voltadas para a doença. Nosso foco é na doença e não na preservação da saúde, infelizmente.

  • Como está se desenvolvendo a Medicina de Estilo de Vida, no Brasil e no exterior?

Cada vez mais profissionais se interessam pelo tema globalmente. Em 2017 o primeiro exame global para certificar médicos e profissionais da saúde em Medicina do Estilo de Vida foi lançado. Cerca de 300 profissionais foram qualificados. Esse ano, o número será significativamente superior. Além disso, universidades já começam a promover cursos sobre o tema, em alguns países já existem programas de mestrado e pós-graduação lato senso, inclusive. Há cerca de 3 anos foi criada a Lifestyle Medicine Global Alliance, criada com a finalidade de congregar as associações de medicina do estilo de vida de todo o planeta. O Brasil, por intermédio do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, criado em junho de 2018, faz parte desse grupo. Com isso, em 11 de novembro, durante o último dia do I Congresso de Medicina do Estilo de Vida que realizaremos em São Paulo, também certificaremos a primeira turma de profissionais especialistas no Brasil. Como este é um exame global padronizado, talvez o primeiro de seu tipo na medicina e na saúde, os profissionais aprovados no Brasil terão um certificado com o mesmo valor do que outros certificados nos EUA, Europa ou Ásia, por exemplo. Em nosso país o movimento é novo, mas já tem um grande número de pessoas interessadas. Nossa expectativa é que possamos, enquanto associação criada para disseminar essa causa pela sociedade, influenciar e incentivar a prática da Medicina do Estilo de Vida entre médicos e profissionais da saúde, assim como a criação de novos cursos voltados a esse tema, gerando no futuro o impacto positivo na qualidade de vida e longevidade das pessoas, assim como na transformação do sistema de saúde, e não de doença, em um sistema sustentável de fato.

Vídeo: Lições do Stanford Biodesign para inovar em saúde

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  • Maiores informações:

Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida:

www.cbmev.org.br

I Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida:
Transforme seus comportamentos e atitudes,

Sobre Fernando Cembranelli

Médico formado pela UNIFESP, com Residência Médica, em Administracao Hospitalar, pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e MBA com foco em Healthcare Management pela Fuqua School of Business (Duke University). Co-fundador do EmpreenderSaúde, Ex-gerente do Centro de Inovacao do HCFMUSP, partner da Live Healthcare Media e CEO do Health Innova HUB (Health Innovation HUB)

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