Empreendedorismo e aceleração de negócios na área de cannabis

Entrar em um mercado novo, lucrativo e com promessa de expansão global pode parecer um sonho para quem tem o empreendedorismo em seu DNA. E seria ainda melhor se houvesse a possibilidade de aproveitar uma oportunidade como essa conhecendo alguns erros de quem já trilhou tal caminho. Esse é exatamente o cenário que temos para o mercado da cannabis na América Latina. Porém, nada ocorre tão facilmente e, antes de imaginar que seu negócio será o próximo unicórnio, pense em começar criando um camelo.

Esse conceito foi trazido à tona recentemente pelo norte-americano Alex Lazarow, investidor de venture capital e especialista em empreendedorismo. Tal cá como no Vale do Silício, esse pensamento faz muito sentido e, mesmo com condições bastante favoráveis, o mercado de cannabis não foge à regra. Ou seja, quem pensa em apostar as fichas de seu negócio no potencial que a planta pode oferecer nas áreas de saúde e bem-estar precisa planejar fôlego de camelo para, pelo menos, dois anos de operação antes de se aproximar do eventual unicórnio que pode ser o objetivo do seu projeto.

Isso porque, além de empreendedor, em tudo que envolve aplicações relacionadas à cannabis, é preciso ser “ativista”. Isso não significa participar da Marcha da Maconha, mas sim montar um bom projeto e conduzir as atividades com a máxima profissionalização possível, bem como colocar sua capacidade em prol do desenvolvimento do mercado e fortalecimento de seu ecossistema, tendo a consciência de que isso trará mudanças extremamente positivas para o País.

O ponto crucial é que aqui, assim como na Europa, os horizontes estão melhores para projetos em estágio embrionário. Nos Estados Unidos, o momento não é o melhor para start-ups, pois há muitas ideias já em andamento e algumas foram mal administradas. Por conta disso, a prioridade de investimento está na compra de negócios um pouco mais maduros e, consequentemente, os novos não estão conseguindo captar recursos.

Por outro lado, no Brasil e em toda a América Latina temos frescor ainda maior em termos de mercado, com espaço enorme para projetos de start-ups e disponibilidade de investimento anjo. Se a ideia for boa, não deve faltar aporte financeiro. De quebra, ainda podemos aprender com alguns erros dos mercados mais adiantados. Trata-se de uma bela chance de inovar e estabelecer diferenciais claros.

Para isso, não basta o projeto ser disruptivo, escalável e estar nas mãos de uma equipe talentosa, multidisciplinar e engajada. No caso das aplicações da cannabis para saúde e bem-estar, o “pulo do gato” pode estar na capacidade de pensar e analisar as possibilidades da cadeia como um todo, desde o início, que começa com o cultivo de uma planta. Estamos falando de biotech, agrotech, compliance tech, serviços de comunicação e marketing digital, sistemas de PDV, plataforma de e-commerce, meios de pagamento. Na hora de pensar, o céu é o limite.

Nesse sentido, ressalto ainda dois pontos. O primeiro é pensar sem fronteiras, pois, embora tenhamos um dos maiores mercados do mundo, podemos desenvolver negócios para vender produtos ou serviços para o mercado exterior. O outro é considerar a área de bem-estar, incluindo suplementos, alimentos e bebidas, entre outros.

Depois que o projeto sai do papel e chega à fase de aceleração, se torna essencial contar com mais do que o simples aporte de capital. Além do dinheiro, busque um parceiro que se envolva, participando efetivamente no dia a dia e proporcionando mentoria muito próxima. Esse movimento é decisivo para fazer o negócio decolar.

Só considere o mercado da cannabis no seu radar se estiver disposto a encarar um terreno mais árido inicialmente, com um confiável e sustentável camelo. Tenha em mente que é pouco seguro arriscar um crescimento meteórico rumo ao encontro com um unicórnio que, na maioria dos casos, não acontece. No próximo artigo, trarei alguns exemplos de boas ideias que conciliam realidade e grande potencial de sucesso. Não perca!

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