Como a inteligência artificial na saúde pode impactar na prevenção ao HIV

O dezembro vermelho, de conscientização sobre a prevenção ao HIV e a IST’s (infecções sexualmente transmissíveis), é uma campanha de extrema relevância no contexto da saúde pública. No entanto, existem alguns pontos deficitários ao modelo convencional de alcance das informações, já que grupos vulneráveis e jovens não são atingidos por canais de comunicação. A inteligência artificial na saúde pode ser um caminho para essa questão.

Em primeiro lugar, é preciso entender sobre o conceito de transformação digital nos processos que envolvem a saúde. No campo da tecnologia, algumas das possibilidades ofertadas pela transformação digital, são:

  • A telemedicina;
  • Digitalização de prontuários eletrônicos;
  • Realidade virtual e realidade aumentada;
  • Uso de wearables devices;
  • BigData;
  • Aplicativos em geral.

As ferramentas tecnológicas elencadas fazem parte do processo de digitalização de processos, mas não são suficientes quando o objetivo é garantir que processos tenham alcances disruptivos e transformem, de maneira ágil e dinâmica, o mundo ao redor. 

Dentre as possibilidades da inteligência artificial na saúde, pode-se frisar a análise preditiva, impulsionada por IA e machine learning. Tendência para o mundo pós-pandemia globalizado, tal análise age de maneira interligada em nações para evitar o surgimento de novas crises sanitárias como a de covid-19. Instituições de saúde, públicas e privadas, bem como seus governos responsáveis precisam estar de olho na saúde preditiva.

Dezembro vermelho: a inteligência artificial na saúde infectologista

O diálogo que a sociedade hoje mantém com a tecnologia é tão intrínseco que não faz mais sentido ficar de fora dessa jornada.  As redes sociais, por exemplo, são uma grande amostra do ambiente em que a geração Z se sente à vontade, independente de gênero, raça ou classe social. Emergir neste contexto com uma linguagem próxima do dialeto dos pacientes é uma das grandes formas de jogar com a tecnologia a favor de uma campanha tão necessária quanto a do dezembro vermelho.

De olho nisso, trouxemos um case recente para você se inspirar em como pensar em modelos disruptivos de comunicação são uma tendência muito forte da transformação digital.

Amanda Selfie: pensamento disruptivo

O sistema de inteligência artificial (IA) não é mais indicado apenas para venda de produtos, mas também para encurtar caminhos. De tal modo, três universidades brasileiras desenvolveram, em conjunto, Amanda Selfie, a primeira robô transsexual do país. Com um conceito estratégico de comunicação voltada a um público específico, a bot é “bb” – em outras palavras, “bem basiquinha”.

A robô foi um projeto da Faculdade de Medicina da UFMG, da USP e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Amanda Selfie tem como função interagir, no Facebook, com participantes que possam integrar o projeto PrEP 15-19, uma pesquisa para a prevenção combinada anti-HIV. A ideia é avaliar o uso da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) em jovens de 15 a 19 anos que façam parte dos grupos de homens homossexuais, mulheres transsexuais e travestis.

A linguagem utilizada por Amanda Selfie é extremamente acessível, com expressões marcadas por gírias e termos em pajubá (dialeto característico de parte da comunidade LGBTQI+). É através dessa conversação com a assistente virtual que os jovens podem tirar dúvidas sobre HIV e IST’s em geral, sexo, orientação sexual, gênero, referências culturais LGBTQI+, dentre outras temáticas.

Tal case se mostra um sucesso no segmento de transformação digital na saúde pelo fato de os cientistas e pesquisadores entenderem que os jovens se sentem mais à vontade em um espaço virtual, com uma linguagem mais acolhedora do próprio meio.

A equipe responsável pela elaboração das perguntas da pesquisa vislumbrou um público discriminado, invisível aos olhos do SUS e que não se sente acolhido em espaços sociais, muito em função de sofrer rejeição de familiares. E como consequência, a marginalidade social acaba causando desinformação, alastrando o risco de infecção.

Em síntese, compreender os processos de transformação digital na saúde vai muito além da digitalização de ações que, muitas vezes, não logram o resultado de maneira completa. O pensamento fora da caixa , com insights empáticos (se colocar no lugar daquele de uma realidade distante da sua), é um primeiro passo fundamental para clarear novas ideias e fomentar projetos futuristas e realmente transformadores.

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Autora: Isabela Abreu
CEO & FOUNDER REDFOX SOLUÇÕES DIGITAIS
Empresa especializada em Transformação Digital na Saúde.
RedFox Soluções Digitais

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