Cannabis vale ouro para atletas

Falta pouco mais de 80 dias para o início dos Jogos Olímpicos no Japão. Neste exato momento, atletas de todo o mundo estão na reta final de preparação física, técnica e emocional em busca de uma medalha. De um lado, todos os esforços estão concentrados em melhorar técnica e desempenho. Já por outro é preciso lidar com dores, contusões, náuseas, ansiedade e falta de sono, mantendo o equilíbrio para alcançar alto rendimento. Esse é o dia a dia de todos os competidores.

Neste cenário, o canabidiol (CBD), uma das substâncias da cannabis, vem sendo usado como forte aliado dos esportistas. Trata-se de um elemento livre de qualquer efeito psicoativo. Além disso, não causa dependência, oferecendo expressiva vantagem se comparado a analgésicos utilizados para tratar dores e inflamações, especialmente os que têm como base opioides.

Permitido pela Agência Mundial Antidoping (Wada, da sigla em inglês), o CBD ainda atua na recuperação muscular, melhora a qualidade do sono e o controle da ansiedade. Adicionalmente, ajuda na consolidação óssea, além de reduzir as chances do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão e derrame.

Esse conjunto de benefícios leva alguns atletas brasileiros à defesa cada vez maior do uso da planta. É o caso do corredor de longa distância Daniel Chaves, do tenista Bruno Soares, e da lutadora de UFC Livinha Souza, primeira atleta patrocinada por uma empresa de CBD.

No entanto, existem inúmeros obstáculos que impedem o avanço significativo do uso da cannabis na medicina esportiva no Brasil. Burocracia, alto valor de aquisição e preconceito são aspectos que ainda geram entraves no acesso aos medicamentos. Mesmo assim, a importação autorizada pela Agência Nacional de Vigilância sanitária (Anvisa), entre 2019 e 2020, mais que dobrou: foram 18.850 autorizações concedidas no ano passado, ante 8.522 nos 12 meses anteriores.

Por incrível que pareça, outra barreira é encontrada na própria comunidade médica, que ainda resiste às constatações de pesquisas e estudos desenvolvidos em alguns dos países mais avançados cientificamente. Só para dar um parâmetro, o Brasil possui cerca de 450 mil médicos, mas apenas 1,1 mil prescrevem medicamentos à base de cannabis. A sensibilização desses profissionais passa não só pela capacitação desde a formação universitária, mas pela participação mais intensa da comunidade médica nos debates sobre o uso medicinal da cannabis.

Ou seja, temos uma extensa trilha a cursar em comparação a outros países. Nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, os produtos à base de cannabis são vendidos livremente. Consequentemente, muitos atletas fazem uso do CBD abertamente, sendo cada vez mais beneficiados por isso. Entre eles estão Megan Rapinoe, jogadora de futebol, e Tiger Woods, uma verdadeira lenda do golfe.

No Brasil, ainda temos um longo caminho a percorrer nesse sentido. Só no futebol contamos com cerca de 88 mil jogadores profissionais que poderiam ser favorecidos com a utilização do canabidiol. Contudo, para crescermos neste setor, não podemos dar espaço a preconceitos e mitos. Precisamos quebrar tabus para buscar o ouro!

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