A “Saúde Digital” no “Novo Normal”!

Durante a pandemia da Covid-19 – que aqui na “República da Cloroquina” nos deixou “atolados” – muito tem se falado da Saúde Digital e que ela vai dominar a saúde nos tempos pós-Covid.

Aproveitando este momento “especial” vamos delinear um pouco dessa realidade digital que deverá permear na saúde nos próximos anos.

Para começar o “aquecimento” no tema, ver a matéria Seven ways COVID-19 is accelerating digital transformation in healthcare, Philips, 08.jun.2020 onde são destacadas sete formas em que a saúde digital pode ser acelerada, a saber:

1. O engajamento digital ajuda a manter os pacientes seguros e personaliza os cuidados;

2. O ultrassom portátil leva o diagnóstico ao ponto de atendimento;

3. As predefinições e os protocolos padronizados ajudam a realizar o diagnóstico na primeira hora;

4. A leitura remota de imagens aumenta e permite a colaboração virtual em tempo real;

5. A coordenação central é crítica na adaptação às mudanças de demanda e capacidade;

6. A interoperabilidade e a troca de dados do paciente são mais vitais do que nunca;

7. A inteligência artificial ajuda a transformar dados em “insights” rápidos e significativos.

Interoperabilidade de Dados: um “Objeto de Desejo” … Ainda!

A saúde é “inundada” de dados (em alguns sistemas de saúde), mas sem conectividade e discernimento … a integração de dados na saúde ainda é um “Calcanhar de Aquiles”!

Os primeiros dias da crise do Covid-19 envolveram autoridades federais e estaduais de saúde trocando planilhas para rastrear manualmente a utilização e a capacidade dos hospitais. Como os dados não estavam conectados, as autoridades de saúde pública estavam confiando em modelos exponenciais teóricos que provaram ser extremamente sensíveis a pequenas mudanças nas premissas teóricas. Apesar de décadas de investimentos em registros eletrônicos de saúde (em alguns países como os EUA), ainda existem centenas de conjuntos “escuros” e desconectados de dados de saúde. Imagine a situação de países como o Brasil que não conseguiu implantar seu prontuário eletrônico de pacientes em larga escala? Mesmo quando os dados estão disponíveis, os fornecedores ficam sobrecarregados com a carga de trabalho e o grande volume de dados e, portanto, não obtêm os benefícios que você esperaria da digitalização.

Os reguladores de saúde também estão empenhados em particionar os repositórios de dados para melhorar a liberação da inovação na medicina digital e na IA. A União Européia (UE) está integrando dados entre os países membros para permitir prescrições digitais transfronteiriças e troca de dados dos pacientes, e os EUA aprovaram recentemente regras para permitir que os dados fluam de maneira mais uniforme entre os programas de assistência médica Medicare e Medicaid (ver Covid-19: o impacto da “digitalização” na saúde, Startup Saúde, 18.mai.2020). 

Mas todo o esforço na interoperabilidade de dados ainda é incipiente e está no início … o problema dos dados ainda é um problema MUITO CRÍTICO na digitalização da saúde e ainda será por muito tempo mesmo em países mais desenvolvidos como os EUA e UE!

Telemedicina: A “Bola da Vez””

A telemedicina é a grande estrela da digitalização pós-Covid. Esse mercado estava sublimado e a pandemia serviu para “arregaçar” sua utilização que acreditamos sem retorno “no more”! (ver The telemedicine genie is out of the bottle, The Hill, 17.jul.2020 e Telemedicine Boom Triggered by COVID-19 Will Drastically  Alter the Future of Health Care, Worth Magazine, 22.apr.2020).

Com a chegada da pandemia da Covid-19 diversos governos no mundo “cortaram” as amarras que impediam a evolução dos serviços de telessaúde. Aqui temos uma excelente referência sobre os serviços de telemedicina: Telemedicina: a grande ajuda para o “novo normal” da saúde pós-Covid-19!, Startup Saúde, 10.mai.2020

Os serviços de Telemedicina vão “explodir” após a pandemia de Covid-19: Telemedicine Boom Triggered by COVID-19 Will Drastically Alter the Future of Health Care, Worth, 22.apr.2020

Embora a telemedicina tenha feito muito sucesso na pandemia acreditamos que os serviços de telemedicina ainda são “pobres” e podem ser melhorados em muito.

Acreditamos que a IA pode auxiliar bastante (bastante mesmo) na modernização da telemedicina.

Um pequeno exemplo que temos notado no mercado brasileiro onde a IA poderia ajudar muito: existe um grande atendimento de pacientes via Whatsapp mas sem integração com os dados do prontuário eletrônico do paciente (PEP). Depois do atendimento do paciente, os dados da conversa precisam ser atualizados no PEP causando um grande esforço operacional. A conversão voz-texto da IA poderia trazer uma grande colaboração a esse problema permitindo a automação dos processos administrativos na saúde. Ver as referenciais abaixo:

To fight nurse burnout, EHRs must use AI, reflect RN-specific workflows, Healthcare IT News, 02.jun.2020

Startup bets on AI voice assistant to prevent physician burnout, MedCity News, 10.dec.2019

Voice-Enabled AI App May Reduce EHR Documentation Time, Medscape, 20.nov.2019

Temos aqui o potencial do uso da tecnologia de IA para gerar dados a partir da voz e automatizar diversos processos na saúde (p. ex., preenchimento de informações do prontuário eletrônico dos pacientes a partir dos diálogos de voz com os pacientes).

Uma outra grande colaboração que a IA poderá trazer para a Telemedicina é no

uso do monitoramento “sem contato” usando vídeo, som e plataformas móveis (ver COVID-19 has accelerated adoption of non-contact patient monitoring technology, says Frost & Sullivan analysis, Healthcare IT News, 29.may.2020).

De acordo com a análise da Frost & Sullivan na referência acima, as tecnologias de monitoramento de pacientes “sem contato” estão gravitando em torno do uso de vídeo, análise de som e plataformas móveis incorporando tecnologias avançadas, como algoritmos de Aprendizagem de Máquina (“Machine Learning”) e Inteligência Artificial (IA). Ela prevê uma mudança da tecnologia vestível (“wearable”), que diz ser desconfortável, cara e com uso limitado, em favor da tecnologia “sem contato”, que tem as vantagens de ser multiuso e acessível.

Para maiores detalhes do uso da IA ver as referências:

A IA na Telemedicina!, Startup Saúde, 17.mai.2020

A Covid-19 trouxe a telemedicina de vez e … o futuro da telessaúde será brilhante!, Startup Saúde, 24.mai.2020

Enfim …. o espaço da IA na Telemedicina será gigantesco!

O Futuro da Saúde Digital!

Acreditamos que muitas tendências de inovação na área da saúde, já em andamento, só serão aceleradas devido à pandemia da Covid-19, enquanto continuarmos o esforço de descentralizar os medicamentos para longe dos hospitais e capacitar os pacientes como consumidores. Entre as novas tendências na saúde destacamos:

  • Telessaúde: a telemedicina é mais rápida, geralmente oferece melhor qualidade e quase sempre é mais barata que os sistemas de entrega tradicionais. Já avançou rapidamente nos últimos anos e no ambiente Covid-19, pode ajudar a manter as pessoas em casa, achatar a curva e salvar vidas;
  • Dispositivos conectados: os dispositivos de monitoramento conectados à Internet, quando implantados em conjunto com a telemedicina, podem aumentar sua eficácia e ajudar a produzir melhores resultados em todo o espectro clínico, desde doenças crônicas até doenças infecciosas;
  • Diagnóstico rápido no ponto de atendimento: o teste molecular não chegou ao domicílio – ou mesmo ao consultório médico – embora a tecnologia subjacente para realizar diagnósticos moleculares rápidos / precisos exista há uma década ou mais. Chegou a hora de esperar o equivalente do iPhone nos diagnósticos, e várias empresas de tecnologia estão fazendo um grande progresso nessa visão. A Covid-19 é um lembrete de que os paradigmas regulatórios e de reembolso precisam deixar de ser um impedimento para um incentivo para essa inovação;
  • Conectando os grupos de dados isolados (“dark pools”): a área de saúde está começando a adotar a moderna arquitetura de dados de interoperabilidade e APIs. No ambiente da Covid-19, a pressão para conectar sistemas tem sido maior do que nunca e esperamos que empresas inovadoras, juntamente com o apoio do governo, acelerem a conectividade dos dados de saúde sem os intensos requisitos de integração das tentativas anteriores;
  • Aplicação de automação e inteligência artificial: A crise atual é um lembrete de que nossos recursos de mão-de-obra em saúde já estavam esgotados. A automação continuará a fazer incursões na área da saúde para reduzir a carga de trabalho e melhorar a qualidade da captura de dados. A tecnologia de IA aplicada / vertical está apenas começando a ser combinada com dados abundantes de prontuário eletrônico de pacientes para levar as ideias certas aos fornecedores certos no momento certo.

Muito mais ainda teremos sobre a evolução da Saúde Digital … Quem viver verá!

By Eduardo Prado

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