Qual é o POTENCIAL DE MERCADO para clínicas no Brasil?

O CENÁRIO ATUAL NO BRASIL

De acordo com a Constituição brasileira, os serviços médicos essenciais são dever do Estado, no entanto, garantir o direito a saúde tem sido um desafio. Fatores como o envelhecimento populacional, sucessivas crises econômicas, diferentes perfis as enfermidades, entre outros, impactam diretamente o setor de saúde no país.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para a parte da população brasileira que não tem acesso ao sistema privado (atualmente cerca de 76% da população não possui plano de saúde). O Brasil é um dos poucos países com sistema de saúde publico universal acompanhado de países como o Canadá, Suécia e França, porém o investimento no setor é deficitário, o que reflete na baixa qualidade dos serviços, gerando superlotações e uma vasta fila de espera nos seus atendimentos. Em 2014, por exemplo, a União dedicou 6,7% do orçamento na saúde enquanto os outros países gastaram entre 14,9 a 27,9%.

Um dos mecanismos para diminuir a incapacidade em atender ao menos a metade da demanda populacional se deu com projetos PPPs (Parcerias Públicas Privadas), no qual, o governo investe em operações a hospitais públicos pagando a agentes privados serviços destinados à infraestrutura, tecnologia e capital humano. Ademais, parcerias com Operadoras de Planos de Saúde (OPS’s) são outra opção, porem não tem suprido as deficiências SUS.

Segundo dados da ANS, no numero de pessoas com acesso aos planos de saúde caiu 2,8 milhões nos últimos dois anos (de 50,4 milhões em dezembro de 2014 para 47,6 milhões em janeiro de 2017) o que pode estar relacionado ao poder de compra e empregabilidade da população, além da insatisfação na qualidade dos serviços prestados ou na alta de preços dos planos. A expansão dos planos de saúde esta relacionada com os contratos coletivos, do total de usuários menos de 20% têm planos individuais, o que ocorre devido ao baixo interesse das operadoras na criação de planos desse tipo, onde são submetidos a reajustes impostos pela ANS que seriam menores do que o necessário para equilibrar a carteira.

Existe uma preocupação das operadoras em aperfeiçoar sua gestão operacional para manter a competitividade, vale ressaltar que os custos no setor em termos mundiais estão subindo devido aos avanços tecnológicos e aumento da longevidade. No entanto, o ressarcimento das OPS’s aos SUS vem refletindo a insatisfação dos seus beneficiários quanto aos serviços ambulatoriais ou hospitalares. Em 2017, o valor arrecadado ficou em torno de 460 milhões, representando um aumento de 46% ao repassado no ano anterior.

EM SUMA, AS TENDÊNCIAS PARA INVESTIR NO MERCADO DE SAÚDE DO BRASIL

  • Sistema Único de Saúde em decadência: o baixo investimento publico no setor e a morosidade nos atendimentos, refletem a insatisfação de cerca de 93% dos usuários que utilizam esse tipo de serviço. Ademais, quanto maior a complexidade do procedimento, maior o tempo de atendimento, principalmente relacionados a hemodiálises, quimioterapias radioterapias e procedimentos cirúrgicos. Aqui se faz presente a necessidade de oferecer alternativas aqueles que não têm opção se não o serviço gratuito ou de baixo custo;

 

  • Valorização do setor privado: os planos privados, que estão se expandindo, visto que existe um aumento das fusões entre incorporações de empresas do setor e das Parcerias Público Privadas (PPPs);

 

  • Empreendedorismo sem gestão direta: nesse aspecto as franquias são um bom exemplo, já que por terem um planejamento estratégico de negocio consolidado e estrutura física pré-estabelecida, permite ao profissional de saúde a execução direta do seu trabalho poupando-o tempo;

 

  • População da classe C como potenciais clientes: no aspecto social, o primeiro item que esse publico deseja ter é o melhor acesso no setor de saúde; e não pagar por consultas a preços que limitem outras prioridades ou passar tempos indeterminados nas filas de espera do SUS são o que fazem estes serem uma tendência nos investimentos, além do mais, a classe C tem se mostrado mais conectada (cerca de 73% tem acesso a internet), o que possibilita a disseminação de informações e indicações sobre os serviços experimentados;

 

  • Aumento da longevidade: hoje, estima-se 13% da população brasileira tem 65 anos ou mais e a tendência é de que em 2060 serão 40%, logo, investir no setor com serviços personalizados em relação à reabilitação cognitiva, fisioterapia, reeducação alimentar, entre outros é essencial para a manutenção da vida ativa e bem-estar desse publico.

O MERCADO DE CLINICAS MÉDICAS 

A disparidade entre o mínimo e o aceitável é gritante em relação à incapacidade do Sistema Único de Saúde, bem como as Operadoras de Planos de Saúde em fornecer um atendimento eficiente à população, o que dá oportunidade para clinicas médicas populares se destacar nesse cenário, já que estão voltadas principalmente para as classes C, D e uma parcela da E.

Uma vantagem relacionada a esse tipo de negocio é que pode ser franqueada por qualquer pessoa e não somente profissionais da saúde, logo, um empresário ou investidor pode montar sua clinica, eliminando atividades administrativas que os médicos poderiam ter. O investimento nesse tipo de negocio é compatível, visto que com consultas mais rápidas o volume de atendimento é maior e o lucro exponencial. A rentabilidade é um grande atrativo mercadológico já que 80% das receitas têm origem de pagamentos diretos dos clientes, sendo aproximadamente 67% em dinheiro e cheques, 25% em cartão; os demais 20% advém de planos de saúde ou convênios (quando há abertura para esse tipo de serviço).

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), não há analises que indiquem quantos estabelecimentos desse perfil existem no Brasil, porem seu crescimento tem sido observado em varias cidades, o que pode estar relacionado com a crise econômica e a consequente redução de beneficiários de planos de saúde e insatisfação com o SUS. Um fator importante, é que agora as clinicas populares deverão ter registro no Conselho Regional de Medicina onde funcionam, bem como seus médicos e especialistas. Além disso, a publicidade em relação aos valores dos serviços deverá ficar restrita as unidades, o que antes era facilmente divulgado na internet com a exposição das tabelas de preços cobrados por consultas, exames e procedimentos realizados; vale dizer, que tal resolução também impede a instalação da clinica no mesmo espaço onde se comercialize próteses, implantes, produtos ou insumos médios, tal como óticas, farmácias, entre outros, embora não impeça a instalação em ruas comerciais ou shoppings centers. Também fica proibida a oferta de promoções relacionadas a descontos ou cartões.

Embora relacionado ao segmento de saúde, beleza e bem-estar, outro mercado importante esta no setor odontológico, em expansão, a carreira odontológica a 2ª mais rentável no Brasil, logo atrás de medicina, de acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O segmento é um dos que mais vem se destacando chegando ao crescimento anual de 7% ao ano; o Brasil é o quarto país no mercado de higiene bucal, com faturamento de mais de 38 bilhões nos últimos anos. Segundo Euromonitor Internacional, o país tem mais de 240 mil dentistas (o que equivale a 15% destes profissionais no mundo) sendo que 55% deles se concentram nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

CONFIRA MAIS DADOS SOBRE ITENS RELACIONADOS À SAÚDE BRASILEIRA:

Setor de saúde (jan/2018 – CNS)

Dados sobre Planos Privados (ANS/2017)

Demografia Médica no Brasil (2015)

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Abigail Gouveia

Health Innova HUB in Training

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