Antes da disruptura, a estruturação da saúde!

Foto: “TRANSFORM”

Tive o privilégio de realizar a minha formação em Medicina, na Escola Paulista de Medicina, tendo como base, o Hospital São Paulo como referência. No meu primeiro para o segundo ano, uma greve de mais de doi meses tomou conta da Universidade, parando completamente as atividades. Minha vida, que naquele momento rodava em torno da Universidade subitamente parou, que sensação mais estranha aquela, mas no decorrer dos anos aceitei aquela situação como normal.

Como empreendedor e inovador em saúde tenho a oportunidade de viajar o mundo e conhecer diferentes sistemas de saúde, pude ver como a Índia estruturou um modelo hospitalar completamente diferente diferente, para que um país sem um Sistema único de saúde possa dar acesso para a população, mesmo para cirurgias de alta complexidade, como cirurgias cardíacas, que são pagas “out of pocket”, diretamente do consumidor para o prestador de saúde. Porém para chegar nesta solução, eles têm um sistema de vigilância sanitária completamente diferente, o que permite que as cirurgias continuem sendo seguras, a um preço muito mais acessível.

Aqui no Brasil vemos a explosão das Clínicas Populares, oferecendo consultas e exams a um valor que a população pode pagar. A Clínica Fares, do cardiologista Adiel Fares, é pioneira neste segmento, com mais de 25 anos de tradição, oferecendo até mesmo Ressonância Magnética para seus pacientes.

Porém, tendo acabado de retornar do Canadá, é impressionante observer a realidade de um Sistema de saúde público que funciona, que tem uma demora considerável para casos eletivos, mas que oferece tratamento digno para os que necessitam e cujos hospitais contribuem imensamente com o avanço da saúde, tendo a descoberta da insulina como um de seus exemplos mais importantes. Mesmo sendo o Sistema público, o número das doações particulares para hospitais é simplesmente impressionante.

Empreendedores não deveriam ter como missão superar as falhas e as obrigações do governo, o SUS é um direito de todos e uma obrigação do governo, podemos desistir do SUS e buscar um outro modelo, mas não podemos achar aceitável que a falta de acesso encontrada no SUS, possa ser resolvida parcial ou totalmente por startups.

Como médicos aprendemos a tratar vidas, mas ver sistemas de saúde e hospitais de referência agonizar, como a Santa Casa de São Paulo e o Hospital São Paulo, é uma situação para as quais não fomos preparados. São só falta de recursos o problema, porque ex-alunos não são “convidados” a contribuirém, porque a comunidade não é convidada a contribuir ?

Hoje, por incrível que pareça, estas alternativas muitas vezes não são legalmente possíveis.

Olhar este problema de modo mais amplo, é fundamental para buscarmos novas alternativas para solucionar o problema, mas é fundamental transparência, disposição para o diálogo e abertura para refletir sobre novas formas de pensar.

Durante a graduação fiz inúmeras anamneses de pacientes, porém certa vez peguei uma anamneses já pronta e fui apresentar o caso numa reunião da Liga Acadêmica de Clínica Médica  .  Aquilo foi um grave erro, do qual me arrependo até hoje. Naquele dia aprendi que , “Você tem que buscar a sua verdade” É  fundamental para profissionais de saúde não só fazerem anamneses de pacientes, mas também analisarem e criticarem a saúde e os problemas dos serviços de saúde nos quais se encontram. Certamente, serviços de saúde saudáveis, tem mais condições para cuidar de seus pacientes.

Atenciosamente,

Fernando Cembranelli

CEO Berrini Ventures/Health Innova HUB

Fernando@hihub.co

Sobre Fernando Cembranelli

Médico formado pela UNIFESP, com Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e MBA com foco em Healthcare Management pela Fuqua School of Business (Duke University). Co-fundador do site EmpreenderSaúde, sócio da Live Healthcare Media e CEO do Health Innova HUB/Berrini Ventures (Hub de Inovação em Saúde e Aceleradora de Startups de Saúde Digital, líderes no Brasil)

2 Respostas

  1. fernando, estou no HSP há 20 anos. me impressiona como um diretor consegue ficar no mesmo cargo por mais de 24 anos (sim, o dr. ferraro está neste cargo há mais de 20 anos, segundo meus colegas que são mais velhos do que eu, ele está gerindo o hospital há uns 25 anos, pelo menos).

    desconheço modelo de gestão saudável onde gestor fique tanto tempo assim, e com a bola de neve só aumentando. nem em empresas familiares creio que exista isso. não o conheço, nunca tive relações, mas penso que isso deve ter, entre as razões da crise, falha de gestão. e sendo diretor, falha dele.

    organograma do hospital: não há diretor financeiro, há um “administrativo”. com tantos problemas financeiros, cadê o foco no problema para soluciona-lo?

    não tem.

    lamentável.

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