Biomodelos e o Mercado de $17 bi!

Durante muitas décadas, o estudo de cirurgias para remoção de aneurisma, implante de próteses e estudo de casos anatômicos, por exemplo, eram realizados de forma invasiva, durante a cirurgia em alguns casos, ou apenas com análise de imagens 2D ou 3D imprecisas em relação a realidade do problema.

A impossibilidade de preparo adequado para tais casos trazia, e traz, problemas pertinentes, como tempo de duração da cirurgia e risco de infecções e complicações para o paciente.

Com o intuito de mudar este cenário, os biomodelos explodiram com a globalização das impressoras 3D e suas diferentes técnicas e materiais, sendo o novo patamar para estudo e aplicação de técnicas cirúrgicas.

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Imagem: Vasos sanguíneos impressos em 3D

 

É o que explica Adriana Del Monaco, bióloga, engenheira de materiais e sócia-proprietária na empresa BIOMechanical Engenharia Biomédica:

O que são biomodelos?

Biomodelos são réplicas anatômicas precisas e específicas dos pacientes, obtidas através da segmentação de imagens de tomografia computadorizada, ressonância magnética ou ultrassonografia.

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Imagem: Sistema circulatório cardíaco em modelo 3D

 

Existe relação entre biomodelos e engenharia de tecidos?

As imagens obtidas por estas técnicas, após passarem pelo processo de segmentação, podem ser utilizadas para impressão 3D de biomodelos, ou até mesmo como scaffolds (suportes para engenharia de tecidos), quando desenvolvidas em materiais biorreabsorvíveis.

Como essa técnica está mudando a pesquisa médica e a medicina em geral?

Esta técnica permite o planejamento de cirurgias de alta complexidade e estudo de casos raros, além de pesquisa, desenvolvimento e treinamento de técnicas cirúrgicas e novos produtos na área da saúde.

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Imagem 3: Peça anatômica para estudo pré-cirúrgico

 

Como a população está se beneficiando de tais avanços?

Estes avanços beneficiam tanto o ensino de práticas, para estudantes da área da saúde, como medicina, fisioterapia, enfermagem entre outras, quanto o treinamento de uma cirurgia complexa, por exemplo, diminuindo os riscos para os pacientes.

 

 

A biomodelagem está no início de seu ciclo, principalmente no Brasil, passando por avanços e ajustes cotidianos, além de encontrar problemas regulatórios, onde produtos customizados sofrem com as regras da Anvisa.

Nos EUA, o mercado de biomodelos e impressão 3D relacionados à saúde gira em torno de $4.5 bilhões/ano, tendo expectativa de crescimento para $17 bi/ano até 2020.

O Brasil, apesar do atraso em relação as tecnologias, está sendo muito favorecido pelos biomodelos e tecnologias 3D, isso porque diminui uma série de custos no processo de fabricação e implementação cirúrgica, além de aumentar os ganhos dos hospitais por diminuir o tempo de estadia do paciente, aumentando o número de pacientes por leito no mesmo período.

A realidade é que a facilidade e segurança apresentadas pela técnica são inúmeras, cabendo a empreendedores, hospitais e grandes empresas impulsionarem o crescimento e melhorias em questões regulatórias junto aos órgãos responsáveis.

 

 

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Atenciosamente,

Felipe Ricci

HIHub Leader Development Program

felipe.ricci@hihub.co