O que aprendi no MARS, o maior HUB de inovação em saúde do mundo!

A convite do governo canadense, tive a oportunidade de participar da Toronto Health Innovation Week 2017, uma semana repleta de atividades voltadas à inovação para a saúde.

Como esperado, vi startups incríveis, conheci VCs excepcionais focados em life sciences, mas acima de tudo tive a oportunidade de conhecer o maior HUB de inovação em life sciences do mundo, o que superou TODAS as minhas expectativas.

Já tendo ido três vezes para o Vale do Silício, China, Europa, Nova Iorque, NUNCA tinha visto nada parecido, nem remotamente parecido. Uma iniciativa que une o público, o privado e grandes doadores, que tornaram esta iniciativa possível.

Inaugurado em 2005, se tornou o epicentro do empreendedorismo em Toronto, estando localizado no meio do maior complexo médico do Canadá e tendo como pedra fundamental, o Hospital onde foi descoberta a insulina, o que levou dois médicos a ganharem o Prêmio Nobel. Este hospital histórico ao ser desativado, seria derrubado e daria lugar a um prédio comercial. Ao invés disso, um grupo filantrópico se uniu, comprou o hospital e o terreno e, assim deram o ponta pé inicial para a criação do MARS.

Vídeo: Conheça o MARS: Maior HUB de Inovação em Saúde do Mundo!  (Parte I)

Doze anos depois, o MARS acaba de inaugurar um prédio completamente novo, onde fica o Facebook e, no último piso, se localiza o J&J Labs, espaço para startups de ciências da vida da Johnson&Johnson. Uma iniciativa pioneira, que permite que startups selecionadas usem o co-working com laboratórios estado da arte disponibilizados pela Johnson&Johnson.

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Foto: Delegação brasileira no J&J Labs

O que mais impressiona é que a conexão com a universidade é literal e acessos subterrâneos conectam o MARS, ao metrô e aos centros universitários mais próximos.

Mais do que isso, muitas das startups mais promissoras do MARS nasceram da universidade e encontram aqui um ambiente adequado para se desenvolver, encontrando capital de risco e expertise para que bons negócios sejam feitos tanto para os pesquisadores e universidades, quanto para o capital de risco.

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Foto: Painel com a Startup Blue Rock, durante o evento MARS Health Kick 2017 (cientistas, VCs, CEO do MARS e escritório de licenciamento intelectual no painel)

Um ótimo exemplo, é a startup Blue Rock, que nasceu de pesquisas focadas em terapia de regeneração celular de ponta realizadas por um grupo da universidade. A Venture Capital, Versant Capital, focada em ciências da vida, se interessou pela ciência, desenvolvida pela equipe do Dr. Gordon Keller, e negociou com a universidade para viabilizar a criação de uma startup baseada nesta tecnologia.

Em seguida, a Bayer se interessou pela empresa e foi anunciado um series A de USD 250 milhões, o segundo maior aporte de series A de ciências da vida da história, um marco significativo para todo o ecosistema e a demonstração clara dos resultados que o MARS vem trazendo para o Canadá.

 

E o mais impressionante, é que estes aportes estão se tornando cada vez mais frequentes, sendo que somente em 2017, mais duas startups receberam aportes superiores a USD 200 milhões.

Sem dúvida alguma, apesar de uma condição adversa inicialmente, a cidade de Toronto e a província de Ontário, souberam como atrair talentos, recursos e investimentos para criar o maior HUB de inovação em saúde do mundo. Um sucesso fruto de um GIGANTESCO esforço público-privado, além de grandes doadores que semearam a iniciativa.

Atenciosamente,

Fernando Cembranelli

CEO Berrini Ventures

fernando@hihub.co

Sobre Fernando Cembranelli

Médico formado pela UNIFESP, com Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e MBA com foco em Healthcare Management pela Fuqua School of Business (Duke University). Co-fundador do site EmpreenderSaúde, sócio da Live Healthcare Media e CEO do Health Innova HUB/Berrini Ventures (Hub de Inovação em Saúde e Aceleradora de Startups de Saúde Digital, líderes no Brasil)